OS DRAMAS DAS MULHERES QUE DECIDEM ENTREGAR OS FILHOS PARA ADOÇÃO

A entrega legal de uma criança para a adoção é o melhor caminho para mães que não têm condições (econômicas, psicológicas, etc.) de manter os filhos depois do parto. No Brasil, como esse assunto está eivado de preconceito e falta informação, muitas mulheres preferem se esconder atrás de um aborto e fingir que nada aconteceu – para não sofrer humilhações ou ter de enfrentar a família e os amigos – e acabam, além de eliminar a vida de um ser humano, sofrendo graves consequências físicas e psíquicas.

O alerta é da juíza da Infância de Recife (PE), Helia Viegas Silva, que acompanha muitos casos desse gênero e participa de iniciativas que tentam levar orientações seguras para que essas mulheres passem por essa dificuldade da melhor maneira possível. “Em muitos casos, as mulheres que decidem levar a gravidez até o final e fazer a entrega legal são taxadas como bruxas e irresponsáveis, e sofrem preconceito desde o começo da gestação”, diz a juíza. “Mas se ela toma essa decisão será, sim, responsável e terá um ato de amor pelo filho”.

Segundo a magistrada, quando a gravidez chega de forma inesperada, mulheres de todas as classes e até mesmo aquelas que teriam condições para criar o filho fazem essa opção. “O desejo de ser mãe não está intrínseco a todas as mulheres”, acrescenta.

Esse é o caso, por exemplo, da pernambucana Malika, de 25 anos, e da brasiliense Maria (nome fictício), de 20 anos, que não desejaram a gravidez. As duas jovens, que não são de famílias pobres, viveram o abandono do pai da criança, tentaram abortar, mas decidiram ainda na gestação entregar os bebês para adoção de uma forma responsável.

Maria estava na faculdade quando descobriu a gravidez, ficou desesperada e fez tentativas de aborto, sem êxito. No oitavo mês, quando ainda escondia da família a gestação, ao procurar uma clínica clandestina na internet encontrou uma casa pró-vida de Maringá que mudaria sua decisão. Sem apoio de ninguém, ela pegou suas malas, viajou para Maringá e aceitou a proposta do Lar Preservação da Vida para levar a gravidez adiante. A criança depois foi encaminhada para a Vara da Infância e da Juventude do município.

No caso de Malika, estudante de Direito, ela tomou a decisão no sexto mês que não ficaria com seu filho. Como Maria, ela não recebeu apoio familiar nesse momento e nem do pai do bebê. Quando tomou a decisão, foi até a Vara da Infância de sua cidade para manifestar a vontade de entregá-lo e conheceu o programa “Acolher”, de assistência a mulheres como Malika, em Recife.

Nos dois casos, elas foram acompanhadas por uma equipe de psicólogos e assistentes sociais até o fim da gestação. Somente após o nascimento dos filhos, elas foram novamente avaliadas e ainda teriam a chance de desistir da entrega, com uma audiência marcada após o período puerperal.

Maria estava segura de sua decisão e se separou do seu filho após o nascimento dele. Dessa maneira, o recém-nascido saiu do hospital direto para a adoção. Já no caso de Malika, como a mulher ainda pode voltar atrás da escolha de entregar a criança após o parto, ela superou seus conflitos internos e decidiu criar o filho, que hoje tem quatro anos. “Ele é tudo para mim”, diz emocionada.

 

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Fonte: Gazeta do Povo (18/06/2020)

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