SERÁ QUE A FELICIDADE EXISTE? ELA ESTÁ NO POLIAMOR?

Por Irma Pereira Maceira*

No mundo em que vivemos, muitos tendem a pensar que a “felicidade” de suas vidas está na fama, na riqueza, no poder ou no sexo. Desde a Grécia antiga, os filósofos estiveram preocupados com o conhecimento das coisas tais como elas são, e não como desejaríamos que fossem.  O fato é que, homens e mulheres sempre buscaram alegrias e prazeres, em situações bem diferentes, como fonte da felicidade. A infelicidade não reside apenas na mente dos excluídos, está inserida em todas as camadas sociais. Não é pelo corpo nem pela riqueza que os homens são felizes, mas pela retidão e pela sabedoria.

Na visão filosófica nenhuma felicidade seria possível, pois nada é permanente, tudo é transformação. Mas será que a transitoriedade do mundo impediria de pensar alguma felicidade possível?

A contemporaneidade nos traz novas formas e novos modelos de relacionamentos, voltados à busca constante da felicidade por intermédio do prazer momentâneo e pouco relevante ou recorrente. Diante de tal situação a pessoa se questiona se a monogamia é mesmo a escolha certa para sua vida.

O poliamor está no centro das atenções, das discussões e já chegou até mesmo no judiciário. E a pergunta que não quer calar, será possível amar mais de uma pessoa por vez? Alguns acreditam que a possibilidade de um relacionamento aberto pode ser uma epifania espiritual, um tesouro muito tempo escondido e finalmente encontrado. Será mesmo?

Quem se aventura em um relacionamento aberto, vai mudar de opção diversas vezes durante o percurso.  Abrir um relacionamento vai permitir a entrada de novos sentimentos e sensações oriundos de outras pessoas tais como: sexo, amizade e amor e suas vertentes, ou seja o POLIAMOR. Será mesmo esta a forma encontrada para ser feliz?

O que significa poliamor? É a possibilidade real de viver dois ou mais relacionamentos afetivos e sexuais simultâneos, também denominado de polirrelacionamento. É permitido aos envolvidos se relacionar com outras pessoas sem que haja a participação e interação de todos; o trisal é basicamente o relacionamento entre três pessoas, dividindo o mesmo teto, onde os gêneros de cada um e as preferências sexuais podem variar; três ou mais as pessoas passam a viver em uma comunidade que se respeita, se cuida e se ama mais do que no modelo tradicional, segundo os entendidos.

E o relacionamento à três, quatro, cinco ou mais … Como se encaminhará a família? O poliamor pode fazer da vida um percurso com diversos caminhos e possibilidades, mas também pode levá-lo ao inferno ao invés de um mar de emoções. Imaginem um relacionamento coletivo com vários filhos, como crescerão as crianças? Será uma família harmoniosa e respeitosa?

Enfim, podemos chamar a poliafetividade de família? Encontra-se pendente de julgamento no poder judiciário ação judicial visando o reconhecimento, por escritura pública, de uniões poliafetivas. Se ocorrer o reconhecimento, teremos a falência da família monogâmica.

A felicidade existe sim e reside no núcleo familiar. Não podemos permitir a sua destruição em nome de um direito à falsa felicidade.  Precisamos refletir e muito antes de nos jogarmos no abismo que se encontra à nossa frente. MUDEMOS A ROTA ANTES QUE SEJA TARDE!

Irma Pereira Maceira, é advogada na área de família e sucessões; professora universitária. Coordenadora da Escola Superior de Advocacia na OAB/SBC  e Presidente da ADFAS em SBC – Associação de Direito de Família e Sucessões.

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